O debate em torno do Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil (PL 2338/2023) gera dúvidas constantes entre gestores de tecnologia e empreendedores. Afastando o tom alarmista das discussões de redes sociais, a proposta busca estabelecer regras de governança proporcionais ao risco de cada aplicação. Entender os requisitos técnicos de conformidade desde o início do desenvolvimento evita retrabalhos dispendiosos e garante segurança jurídica.
Requisitos de transparência e auditoria
A legislação prevê a obrigatoriedade de relatórios de avaliação de impacto algorítmico para sistemas classificados como de alto risco, como triagem de crédito ou recrutamento. As empresas precisarão documentar a origem dos dados de treinamento, os critérios de ponderação e as medidas adotadas para mitigar viés discriminatório. A rastreabilidade das decisões do modelo deixa de ser uma boa prática recomendável e passa a ser exigência regulatória.
Gestão de riscos e documentação de datasets
Startups que desenvolvem soluções baseadas em modelos de linguagem ou visões computacionais devem instituir processos claros de curadoria de dados. Isso inclui auditorias periódicas sobre os datasets utilizados no ajuste fino e o versionamento rigoroso das bases de conhecimento. A implementação de logs de auditoria detalhados garante que a empresa consiga demonstrar conformidade em eventuais checagens de órgãos fiscalizadores.
Preparação prática para as novas diretrizes
Adotar um arcabouço de governança antes da sanção final do projeto é a forma mais barata de compliance. Recomendamos a criação de inventários atualizados de todos os modelos em produção, detalhando suas entradas, saídas e grau de intervenção humana na decisão final. Projetar sistemas modulares permite adaptar pipelines de dados rapidamente conforme novas normas forem promulgadas.


